A porta da geladeira já não fecha mais...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010


Feliz Natal e 2011 a todos!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O ícone ludico está corrompido

-Eu acabo de lavar os lábios, foi uma noite daquelas.
-Como está seu amor?
De cartas em ruas, ao vento da sujeira vinda de uma noite familiar, de Véspera de Natal.

("Brian acabou de entrar" surge uma frase na projeção ao fundo do palco)

-Ele é um exemplo perdido do garoto da bacia de leite.
-Brian. Nome falso.
-Ele tem uma pele assim como a minha, talvez até capaz de fugir de algumas coisas que eu também poderia ignorar.
Você já teve um amor virtual? Já pensou na possibilidade de Brian, ou qualquer mente pronta pro desejo e o anseio alheio?
-Essas salas de bate-papo deixam qualquer um de pau duro.
Repugnante. Posso tentar ver de um lado mais realista, posso ser mais medíocre.

- No mais inesperado espetáculo de tempo naquela noite, Brian encontra um casal que pode lhe dar tudo, pelo menos naquela fracionária noite de dezembro.
-Dentro do taxi ele repagina os pensamentos e todas as linhas de caráter de homens a espera disso.
-Lhe pagam o táxi. Dentro do apartamento: bebidas, copos sujos da noite anterior dos amigos do sujeito mais velho, a televisão ligada reproduz o resultado de tudo que poderia vir a Brian.

-1º Tiro:
Senta no Sofá
-2º Tiro:
Tiram a roupa, se entrelaçam pelos tapetes e pelas cenas sugeridas do calão mais estrangeiro.
-3º Tiro:
Amanhecer.
Após banhos, conversas praticamente monossilábicas, Brian olha pelo vidro de uma sacada.

- Lá fora há um cachorro. Ele estabelece uma relação tão desarmadora a Brian, porque Brian é apaixonado por cachorros. Brian é criança ainda. O olhar de braços de mãe saltavam cada vez mais cortantes aos olhos de Brian.
Rapidamente ele pensa em repaginar seus pensamentos. É hora de ir embora.

- Ao sair, de nariz escorrendo, Brian se despede com a certeza de que nada, nem dentro do desejo de um homem pudesse despertar o homem que lhe espera no futuro.
-Tão mágico quanto aparecer um cachorro pra ele e mandá-lo pra casa como sua mãe faria.



Poderiamos muito bem nos comover com o estado de ansiedade do garoto. Provavelmente o computador dessa criança possui milhares de sinais de velhas crianças a espera do virus mais primitivo.

- Na mesa posta ao jantar, Brian brinda com a familia a chegada do Natal. Ele não vê a hora de abrir os presentes.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Dentro de uma caixa, dessas de papelão, de meio-fio, respiro algumas vezes até sentir um estado de via pública.
Lá dentro eu espero Godot, lá em cima eu sento em Xangô. Nada de hipóteses e valores.
Gente feliz me dá um nervoso, se estiverem juntas me encharca de alfinetes, de lados vazios, às vezes.
Num mar de prelúdio não mais suporto este ato.

Poderia ser exagero, ser bastante infame. Só posso ver o quadro dentro da caixa.
Que levem a caixa. Viver dentro de mim já está estalado no monumento dessa esquina.
Que levem a caixa.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cabeça Vazia (Oração aos Andradres)


Longe de qualquer espaço sideral. Tão perto de um coração de mãe.
- Quantos dias do ano você conta?
De repente, num estatelar de pensamento me encho de repletas idéias e sensações de uma obra-prima. OBRA-PRIMA
Eu a admiro, eu penso em matá-la e transformá-la em Ofélia de Gravura, mas é bela, é simplória.
Como mortos de fome, oriundos de um berço de teatralidade de um belo artista.
Sem almas. Aladas. Amargas. Achadas. Avassaladas em bacias mortas...
Quero na surpresa de um silêncio, pegá-los, encadeirá-los no momento de ritual que se inicia.
(sorte dos que sentarão em costas poéticas!)


Pequenos lados
sombras a parte
recebo essa saudação
de Antropofagia aos ANDRADES!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Salada-Mista


De galho em galho,num pulo despreventivo
Mulheres nuas em chafarizes nas praças da cidades
Palhaços flutuando em seus balões nos terraços dos prédios
De galho em galho no ríspido soltar dos pés

Nas profundezas de um mar de bolhas
Sereias recebem seus anões, anfitriões, campeões
Piranhas gargalham entre as bolhas
Nas profundezas da solidão coletiva...

Vaga-lumes cegam meus papeis
Guarda-roupas me trancam no quarto

...e a festa rola solta no país dos Andrades!

domingo, 24 de outubro de 2010

Sinal da Cruz


Que cabeça a minha pensar isso. quem sabe um nome mais leve, um catálago mais variado.
Pense na possibilidade de poder estar flutuando.
Penso que flutuar é se libertar, é ser mais feliz mesmo. Como sempre leio em meu espelho todos os dias: QUERO A DELICIA DE PODER SENTIR AS COISAS MAIS SIMPLES.
Cada um com suas manias, suas perdas, suas liberdades.
Quando eu flutuo eu vejo tudo menor, num desmemoriado esforço eu me entrego.
Tem vezes que vejo pessoas andando na rua, e muitas delas flutuam. Flutuam dentro de suas mentes, com todos os seus sentidos desligados, as pernas em sincronia com os braços que carregam das mais variedades e das mais rotineiras bagagens urbanas. E flutuando, elas se interligam em um mesmo nível. É uma questão de 4 cm do chão, coisa pequena. Sempre que me distraio, me flutuo, uma respiração completa, repleta de serenidade.
Talvez minhas flutuações ultimamente tenham caído pro lado da loucura, da insanidade, ao contrário da serenidade que me dosava antigamente, eu ando flutuado por baixo.
Por de baixo dos tapetes dos museus da cidade, eu flutuo assim, na perigrinação.

Mas que cabeça a minha, essa que flutua nas duzentas dimensões que sinto num raio de uns...4cm...1 quarto de sintonia...100 sanidades e elogios...resultando numa distração.
Preciso voltar ao trabalho, essas distrações financeiras que nos alimentam de frustações, flutuações, inflações....

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Terra do Nunca

Dia após dia numa fazenda de vacas gordas, numa fazenda de quadro.
Flores, grãos e silêncio.
Nela há campo, há campo pra mais de metro, há campo pra ser livre, há campo pra nós.
Desde que cheguei aqui eu nunca vi ninguém. Já vi vários animais nascerem pelo campo, tinha até umas espécies que pareciam gente, mas eles vivem numa paz que nenhum ser humano alcançaria.
Não sei por onde entra, não sei encontrar, corro pelo gramado. Está sol. Na verdade, nunca vi ele descansar como eu descanso.
Grito até rasgar meu peito pela grama aquecida, grito rolando, grito rindo, mas sozinho.
Já não sei há quantos dias estou aqui. Além!
As formigas em parceria com as abelhas administram o lugar.
A primeira convenção me lembrou um livro que minha mãe me deu pra ler na infância: A Revolução dos Bichos. E era uma revolução, da mais organizada, da mais pacífica.
Queria correr pra cá, correr e contar como é belo. E aí eu corro pelo campo, corro pra saída, mas ao redor tem mais e mais campo.
A fantasia de morar sozinho, no paraíso começa a me deixar preocupado.
Ao mesmo tempo que não tenho medo de que algo fantástico aconteça por ali, sinto medo de não acontecer nada.
É como Deus, como ser o primeiro a experimentar essa droga, esse paraíso.
Sinto a grama, sinto vivo os ventos por onde correm pelos campos.
Chego num pricipício. Passo dias por lá. Já não é mais campo, é árido, é quente.
O sol não me abandonara nunca, nenhum dia sequer. Na verdade, já não sei se foram vários dias ou se é o mesmo sempre.
A vista lá pra baixo é infinita, como o campo.
Se eu voltar, serei alguém só, alguém que conviverá com a própria companhia para sempre.
Aqui não há fome, não há comida, o que me afeta é apenas o Sol, meu companheiro desde que cheguei. Algumas horas irritado, ele paira sobre minha cabeça e queima, queima até ficar frente a frente comigo. Fica rosadinho, fica manso até voltar sobre minha sombra e tentar sair dess ciclo vicioso, desse lugar em que eu não consigo sair.
Me canso de tanto descansar. Ao mesmo tempo em que falei tudo o que pensava, canso de existir.
Olho pra baixo, fecho os olhos e espero os ventos lá do fundo.
O Sol se põe, até deixar um ultimo raio atrás da miragem.
Me despeço.
Volto a fechar os olhos e
pulo para o infinito.


No fundo de uma mente encontro um ser. Ele vive dentro do útero, e vive muito bem.
Pergunto pra ele:
- nunca sairá daí?
O ser numa paz interior, inconsciente, complemente imparcial me responde:
- se o estado lá fora estiver como está aqui, estarei pronto. Logo minha vontade condiz a estar interligado ainda, e se depender de mim, esse laço entre nós não romperá.
..E no fundo de uma mente encontro uma ligação que esteve dentro sempre, sempre do ventre, dentro da mente, dentro do que chamo de: mim.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

INFANCIA (In)persistente


A Balada da Crian
ça Morta
Lua, Pulos na cama, língua pra fora e memórias precoces dentro da carne. Essa carne está mais rígida parece, como um boi rezando sua última prece no frigorífico.
Eu não sei se vejo mais cores agora ou aquele Agora que parecia que nunca ia passar. As insônias ao dever não cumprido, as anotações levadas pra casa para serem assinadas, o culto diário do programa do Castelo. Agora me recordo, agora eu sinto o que sentia lá, o que machuquei e coloquei um band-aid pra sarar, o que recordo, o que sinto morreu, morreu aqui dentro, e logo ao lado nasceu.
Entende essa coisa de morrer e logo nascer?
Abro os olhos e a programação do Castelo agora são corridas, mãos na testa, hiperatividade forçada.
Algumas coisas continuam iguais.
Algumas coisas vao sempre ficar assim:
o medo de falar o que não é bonito, apologias forcadas.
Na face, um sorriso juvenil, um sorriso presente na validade ainda, mas que pensa, e pensa como uma velha roda-viva.
E a roda, forçada: Programada.
Programada pra dar um curto, um surto no meio caminho, pra recorrer a mãe, as memórias que jamais morrerão quando eu em logo nascer, ou morrer.


LUAN MACHADO

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um Cartão Postal a Narciso


Narciso, Narciso
E não é que tu és parecido comigo?
Narciso, meu amigo
Que mal tem ser você também?
E se morro, quando morro
TE escondo, TE renego e TE deixo
Mal de todos, mal de muitos


LUAN MACHADO

Festa de Aniversário

Pinter, Pinter
Se você soubesse disso, se você acreditasse
É como outra qualquer talvez
Nós, meros atores, merosrelesmeros
Festa de Aniversário
De uma alma precoce, que engana
Engana-se mesma, Engana ti mesma, Engana me mesma
Tocam-se pelos astros, de tal forma que-
Uma pausa na cena me é válida!
(Um desequilibrio na cena)
Aquele amor pela vida, aquele lado que
em amigos, e sufocos amores
é alguém de bem, alguém que tem
A cena para se repetir
Bobagem, Bobagem
Isso é loucura!
...
...
é esta a ordem? é esta a graça?
que tem a graça, que não metem presta!
Meu bolo te bolo por te ver assim,
é a hora da tua festa.
festa?




LUAN MACHADO

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mantra da Terra e Mar


Saravá, Saravá
meu pai, meu mãe, Saravá

Saravá, Saravá
vem de mamae, meu sabiá

Saravá, Saravá
assim nasceu, morreu, sei lá

Savará, Saravá
numa canção a Iemanjá
'

Saravá, Saravá
vem de mamãe, meu sabiá
Saravá, Saravá
vem de mamãe, meu sabiá
Saravá, Saravá
vem de mamãe, meu sabiá




LUAN MACHADO








casa do cauan- foto

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pés Descalços


Pés de mendigo, pés de mim
Pés que me deixam de cabeça em pé
Pés me sustentam. Pés me aguentam.
Pés me acompanham.........

Um pé convive com meu pé
São dois, são plural, são meus.
Sujos e imundos, são de Deus
Pés que pés? Ipés.

Se tenho ainda pés, é porque ainda vivo
Vivo sobre meus pés
Pés sobre a vida. Sobrebípede

Que pés.. que vida..






LUAN MACHADO

ESQUELETO DO OBJETO


Visualize um processo do qual requer energia constante e circular. A partir do momento que se entende esse esqueleto, o desempenho e a criação flui.
Todos nós temos esses 3 triangulos dentro de nós. Nós somos este quadrado que há em volta dos triangulos. Nosso corpo, nós, objetos nos conectamos com o interno e o externo durante o processo. E no momento em que o outro está te assistindo:
Podemos considerar O OUTRO como um publico, mas tambem como outro ator, outro objeto conectado a voce.
Quando se ativa essa chave dos tres triangulos, quando há permissao do objeto, há organicidade. E quando há organicidade, há criação.
Para criar, tendo consciência dos tres triangulos em movimento, movimento interno, a criação torna-se organica.
Todo esse movimento do objeto em cena, vem de uma ação constante, que desde o processo vem sendo trabalhado, para que no momento em que o outro esteja recebendo essa ação, ele receba sem perder nada do que foi lançado.
Para que haja ação organica e espontanea, é preciso ter emoção.
Não confunda emoção com sentimento.
Nós, a todo momento, estamos nos emocionando. Estamos recebendo sensações e atuando internamente, em que consequencia, torna-se um sentimento.
A emoção é um subsidio do sentimento.
Sentimento parte de algo vindo da permissao.
Quando o objeto se permite, tem consciencia dos tres triangulos em ação, e está buscando em movimentos, sejam sonoros, fisicos ou psiquicos, o objeto estará em estado de alerta!
Um objeto em estado de alerta, está com todos os sentidos alertados, ativados. Ativados, os sentidos irão corresponder mais rápido do que a propria mente do objeto.
Ação e reação -> Impulso e estimulo interno para uma expressão na atmosfera
Quando agido, quando expressado; o OUTRO receberá.
O outro sensorialmente perceberá a tensão interna do objeto e sentirá algo sendo rebatido internamente neste corpo chamado, OUTRO.


Depois do processo de alerta, depois de um costume diario, um costume no repertorio de aquecimento do objeto, de reproduzir o que o corpo do objeto precisa dizer ao externo, há uma grande potencia. Uma grande potencia que servirá a qualquer proposta. Uma potencia que aliado ao texto, aliado ao OUTRO objeto presente ali, aliado a todos os signos presentes, torna-se a energia constante e circular criada dentro do objeto e a toda volta projetada.



LUAN MACHADO

domingo, 20 de junho de 2010

Cena IV/VIII Solidão juvenil

(luz na poltrona)
5:45 p.m - 36 carteiras (34 vazias) -
Eu com dedos adormecidos em uma, e aquela barba com molho de tomate no canto, sentado Ivonelson, em outra carteira. Controlando o relogio e retornando os olhos pra mim com os 15 minutos faltando escrito em sua testa marcada de rugas. 1 questão ainda e ouço as vozes da Gi e do Luciano lá fora rindo da ultima questao, a maldita que me prende nessa sala levemente esverdeada. O barulho da caneta nao pára, e a minha paciencia ja se perdeu no meio desses papeis grampeados com meu nome no cabeçalho. 5 para as 6, e o dilema entre a letra B e E grita aqui dentro. O traste acaba de terminar de fechar aquela sua maleta de couro marrom e me dá um sinal com o rosto de 'Agora ou Nunca'. Eu não tenho culpa, Fisiologia madeireira nunca foi meu forte! Quer saber? A letra E me parece mais direta. Preciso muito de um trago!
(levanta de poltrona) (tira do bolso de trás um cigarro e acende-o) (vai indo em direção a luminaria que se acende)
Sempre atrasado, sempre só. Só não, ainda tem mais um cigarro no bolso de trás.
(blackout)

Será a solidão prima da insônia?

Somente
O espirito
Liberta o
Intelecto
Da solidão
Ão-solidão
O EU Singular.


EU acordo
TU foges
ELE esconde
NÓS sentimos
VÓS sofreis
ELES adormecem

Quão invisivel você é?

HAI-KAI da solidão
Solidão
Coração
7o Andar
A minha se espatifando ao chão

sábado, 19 de junho de 2010

Hai-Kai pontilhado


pontos de interrogação correndo pelos pontos do relógio.
pontos de exclamação atrás de pontos e virgulas. Dois pontos: dois tempos.
pontos que apontam para outros pontos pelos intervalos dos três pontos...
pontos finais, pontos prontos.

CENA III/VIII 'Se EU matasse, se TU matasse, se ELE morresse'

CENA III
(todas as luminarias acendem, todos os personagens em cena em cada um em uma luminaria, blackout. acende luz na poltrona, p1 sentado.)

p1. EU mato TU matas ELE mata NOS matamos VOS matais ELES matam. Já falamos de matar hoje aqui? Mas esse matar foi diferente.. foi.... diferente. Sabe quando matar se torna apenas uma palavra poética? Será que eu deixei tão claro assim?
O MEU matar foi mais... ELE matar.. Porque acreditem em mim, suplico, sou inocente. Sou inocente por motivos completamente compreenssiveis.
Até porque matar é de....
Se matar, porque ELE mata.
Quando matar torna-se rotineiro, torna-se alimento para continuidade para viver. Matar contém no manual descomplicado do artigo vivencial humano. Porcaria... porcaria... porcaria...
Matei sonhos, matei todos seus sonhos.
Me matei em teus sonhos.
Me pergunto se podes me olhar..
(luz acende em uma das luminarias do palco, alguem com um livro aberto na frente do rosto)
p2EU mato TU matas ELE mata NOS matamos VOS matais ELES matam. Já falamos de matar hoje aqui? Mas esse matar foi diferente.. foi.... diferente. Sabe quando matar se torna apenas uma palavra poética? Será que eu deixei tão claro assim?
O MEU matar foi mais... SE matar.
Fraqueza e excesso de auto-confiança em si próprio. Moralismo torna-se parte da sua rotina, percebe? Percebe que SE matar é TE matar. TE matar, te mato pra ELE matar. Não foi o que você disse?
Já falamos em matar aqui?
Porque metematei. Porque desejo que o próximo que te mate seja ELE. ELE que tanto deseja, ele que tanto procura, que te metematicamente morra!
(blackout na luminaria. luz na poltrona)
p1Era noite quente de inverno. Um dia além da rotina. Um dia além de qualquer outro dia..
Me lembro dos abraços presentes naquela noite quente de inverno. O corpo dela sobre a sala de estar e o bilhete em seus dedos. o bilhete de amor meu que meu amor morreu.
EU mato, Tu matas, ELE morre, NÓS deixamos , VÓS matais, ELES morrem.
Morrem de amor, morrem do mau primeiro: o nosso falso amor que ali morreu.
(blackout na poltrona e luz na luminaria com um papel amassado ao lado)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fragmentos de uma peça interspessonal (CENA II/VIII)

CENA II

(enquanto p1 sai de cena, entra p1 e p2 do outro lado do palco. p2 ao lado de um criado-mudo. p1 senta na poltrona ao meio.)


p1Podemos conversar?
p2E porque não?
...
p1E agora, podemos conversar?
p2Olha, já disse que não vejo o porque de não conversarmos
...
p1Será que dá pra conversarmos?
...
p1Obrigado.
...
p1Lembra do João?
p2O João que me disse ontem?
p1O joão de antes de ontem. Ontem é tão presente pra você. Tão usado quanto você.Tão
p2Tão chato pra você!

p1Eu falei do João, eu falei do João. e se não fosse a merda do João, e fosse a merda do cachorro da sua mãe, você não ia dar a mínima!
p2oi? o que eu ouvi? minha mãe, o joão, a merda de quem?
p1da tua mãe!
p2Cale a boca!
p1obrigado.. acho que agora podemos começar...

p1Quando aconteceu?
p2Outubro de 1999. No jardim atrás da casa.

p2João e..
p1Joana
p2Tá me zoando né?
p1Nao. e preste atenção!
p1Eu lembro a primeira vez que aconteceu. Lembro que ela chegou em casa e foi direto pro quarto chorar.
p2Não lembro dessa.
p1Claro. voce estava viajando. viajando na sala, vendo aquele programa estupido.
p2Ok. vamos ao que interessa
p1Senti que no ultimo dia, eu nao dei o meu melhor. nao.. falhei, entende?
p2Besteira da sua cabeca. acorde. acorde e pense novamente. tivemos essa chance!
p1Droga! merda! merda!
p2Acho demais falar essa palavra por aqui.. ela força, sabe?
p1Ela era burra. ela foi burra. porque nao acreditou em nós? iria acabar logo. mas burra. nao aguentou um pouco mais.
p2Você vai fazer isso mesmo, ou serei eu ter que atuar?
p1Nao, merda. ...desculpa...
p1Outubro do que mesmo?
p21999
p1Jardim... ela estava de costas... eu lembro que brincava com flores e pazinhas... via pela janela da cozinha.. ela chorou como nunca imaginei. mas antes de chorar, ela ficou em silencio. o silencio que a levou.. o laranja da cenoura reluzindo através da agua descendo em minhas maos.. foi
p2Foi injusto,eu sei. sabe o que eu penso agora?
p1Nao sei. nao sei. nao.... sei... nao sei se quando a levaram, minhas forças eram meus impulsos e vontades contrarias... nao sei se talvez eu tenha visto mesmo e tenha deixado a levarem..

p1podemos conversar?

(blackout) (luminaria do p2 acende junto com luz da poltrona. há uma faca ao lado da luminaria)

Na noite. Te vejo/Me vejo

Foto em 2008,Noite,Maringá. Poema na Noite,2010,Curitiba.





A noite que à noite anoiteceu
Anoiteceu porque morreu o dia
O dia que de longe perde da noite
Da noite que jamais adormeceu

Dentre todos os astros, desastre
Desastre que se instalou na noite
Na noite vejo luzes no lustre
No lustre me vejo. Vejo a noite

É noite, é dia, é saúde e alegria
Alegria que me desperta e na insonia
Na insonia me encontro. Só
Só não me deixe só, Noite.



LUAN MACHADO

Fragmentos de uma peça interspessonal

(palco com 8 luminárias, criados-mudos embaixo das luminarias. as luminarias podem ficar bem destribuidas pelo palco. há uma poltrona grande no meio do palco. luz em cima, recortando a poltrona apenas)

CENA I
(luminarias apagadas) (entra P1) (P1 senta na poltrona)

P1- Ratos dominarão o mundo. Guarde. Desculpe, acho melhor entrar de novo, errei a fala. Vamos lá.. de novo...

Os ratos dominaram o mundo. Eles sairam de seus bueiros, de suas rotinas obscuras. Calma lá.. ratos tem suas rotinas muito mais nos bueiros do que a gente pensa, e isso não as torna como rotinas obscuras. Droga.. me desculpe, me exaltei. Perdi o controle. Juro que até o fim eu falarei, apenas falar. Falar é de uma satisfação sem igual, não é?
... Ah é.. os ratos. Aqueles ratos que não suportava mais.
Eles tinham algo que me deixava louco. Já vou logo avisando: homem + rato é sinal de merda! Daquelas fedidas..
Todos os dias eu os via. Todos os dias nos víamos..e me olhavam com cara de: é homem ou é rato? Ratos me definindo, ratos me analisando. Ratos de laboratorio, que por ironia da liberdade utopica, fugiram dos laboratorios, e vieram me atormentar, pregando questionamentos, pregando a falta de paz.
"Você é um homem ou é um rato?"
Ratos do mundo, ratos de porão. Ratos selvagens que por trás de seus dentes carregados de chagas patologicas, te olham, te instigam à loucura.
Ratos... homens... qual é a merda da diferença?
Ratos poluem, homens poluem. Ratos carregam veneno. Homens são o próprio veneno.
Ratos são a praga do mundo... pra nós... nós.. e nós... nós... praga do mundo... nós... os ratos... a praga de todo mundo... que mundo... esses ratos.. e nós...nessa praga de mundo... que praga.. os ratos... QUE MATEI! PORRA DE RATOS!
Eram ratos que não eram daqui, tenho certeza! Eles brigavam todos os dias, eles fodiam todos os dias, eram ratos imundos.
Eu olhava pela janela, e os via, vivendo em seu bueiro, com aquele amor aconchegante e minimo.. que eram aqueles ratos!
Certo dia a loucura que aqueles ratos me instigavam chegou ao dia D. Dia de ACABAR COM TODA A RAÇA DE RATOS QUE OCUPAVA NO MUNDO! AQUELA RAÇA, DENTRO DAQUELA CASA! Entrei no bueiro deles, pela porta da frente mesmo. Eles jantavam, jantavam folhas e cogumelos. Ratos finos de merda! E como um bom tímido que são os.. eles.. cheguei seco, fino, como eles, e os cerquei.
Eram ratos na ratoeira. Na ratoeira que mereciam morrer na própria ratoeira, no proprio bueiro. Os paralisei contra a parede e cortei o mal pela raiz, pelo rabo, pelo cú do mundo. A sensação de exterminio sobrivivencial era maior que os gritos dos ratos. Os gritos que foram se transformando em gemidos, em suspiros, em... respiros.. em silêncio...
Voltei a porta. (ao lado da poltrona, pega a sacola que está ao lado, tira um queijo redondo)
Voltei na armadilha... voltei pra aqueles ratos sem rabo na ratoeira, no canto da sala de jantar. Eu os via com aqueles olhos espantados. Por um momento era poesia, por um segundo na verdade... eram homens. eram ratos. homens de merda que se amavam, ratos de merda que..
Voltei novamente a porta. (indo em direção a alguma luminaria). Voltei do jeito que entrei naquela merda de casa de ratos de merda!
(deixa o queijo ao lado de um criado mudo, no qual a iluminara o queijo)
Voce é um homem ou é um rato?
Grande merda.
Eles dormem, nós acordamos. Nós dormimos, eles acordam.
Você é um homem ou é um rato?
Grande merda.
Somos grandes, grandes merdas. Eles são muitos. São muitos....

(P1 sai de cena)


quarta-feira, 9 de junho de 2010

1 reflexão, 2 pensamentos opostos, 3 confusões instaladas

Essa é a Amarula. Tão confusa quanto o respectivo dono.



É confortável se sentir perdido? As pessoas acordam perdidas? Eu não sei, não sei, disso eu também não sei. O fato é que sentir-se perdido é relativo. Há dias que acordo tão seguro de si, mas dias como hoje que me deixam completamente perdido no tempo/espaço.
Compartilho com você essa indagação, nessa manhã fria, o questionamento das coisas instáveis e projetáveis.
Planos, planos, planos.... Porque vivemos no futuro? Será que eu vivo no futuro? Vivo projetando as coisas, confesso...
Engraçado que falo do meu medo com as pessoas normais, mas elas também são assim, assim como eu. São questionamentos que não te deixam furioso por não entender o segmento da linha de pensamento.
Sou jovem (ok.isso não é desculpa), tenho (muitos) conflitos internos (crianças,jovens,adultos também os possuem até morrer), e tem dias que eles me enforcam (como hoje)........
Sentir-se perdido é visualizar policaminhos. A partir do momento que 'sentir-se perdido', a confusão se instala pelo fato de vermos uma infinidade de elementos que há no ambiente, é a confusão mental, a confusão existencial, a confusão exterior, a confusão vital!
No momento, a situação é terminar um ciclo e criar o novo. É disso que estou falando!
Mas que confusão! A partir do momento que vejo todos os caminhos que penso em seguir, PENSO EM SEGUIR TODOS!
Sempre digo também o fato de querer estar em todos os lugares... Tenho a constante reflexão na possibilidade de estar na África, aprendendo os verdadeiros valores da vida: estar na Australia, longe de todos daqui em um territorio individual que é N.Z: estar no Reino Unido, em uma pacata cidade, vivendo no frio, com as proprias pernas e uma vizinhança caricata: viver no Oriente Médio, e sentir que posso me dar mal [bem mal] a qualquer momento: viver, viver, viver... viver em todos os lugares, menos aqui!
1,2,3,4,5,6,7,8... uma contagem pra vida que acabou de passar nesse um tempo, nessa vida inteira, nessa confusão que é viver nesse mundo.
Que confusão.. que dia vai ser esse que apenas começou?
Sei que amanhã minha confusão estará menos aflita, não alimentarei-a, pois sei que ela é onipresente, e como os Deuses na Antiguidade, ela aparecerá novamente em tempos de trevas MOR.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

No meio da rua tinha um bueiro...(IT)


B rincadeiras perigosas que
U m momento aparece o palhaço
R uas em frio, há um balão vermelho
A explosão do balão: uma
C riança morreu.
O

N ão encontro saídas
E sinto algo maligno ali
G rito até ficar cego no breu
R ôo as paredes de dentro do bueiro
O palhaço te pegou!

"BBB - Bye, Bye Brasil" - ou Parafrasear Nana Rodrigues é pecado.



Todo espetáculo terá seus pontos de perdas e ganhos. É tudo relativo quando se trata de arte. E em qualquer processo de montagem, não é diferente. No caso de ‘MEDEIA PLURAL’ as expectativas se superaram.

De um inicio um tanto desestimulante, o elenco disperso e já cansado de um curso, que desde o começo de 2009 teria criado, além de uma emocionante história, uma importante historia pro curso, pro Colégio, pra Região, pra história do Teatro Paranaense, o curso que haviam formado a primeira turma, que por sinal, virou inspiração para os futuros atores ali já se formando e com seus discípulos alunos/atores.

Confesso que jamais fiz algo parecido. Como sempre me diziam o perigo de se trabalhar algo stanislaviskiano no palco. Agora percebo a magia que é se entregar na melhor das viagens percorridas pelo ser humano, o teatro.

Partindo de um, confesso, elenco frágil e complicado. Seus trabalhos iniciais foram completamente individuais, buscando seus reflexos e futuramente, seus personagens na montagem. Este foi o maior tempo de trevas do grupo, com seu 1 ano e 3 meses de trabalho já carregado. Desavenças pessoais e inter-relacionais comprometeram no processo, que já adiantando, resultou na cereja da montagem.

Totalizo 2 meses de processo. Iniciando-se em abril, o processo de escolhas dos textos, criações, idéias e criações corporais já iam se formando rapidamente, com uma atmosfera orgânica e vaidosa. Lembrando que estamos tratando de um elenco complicado, vejo o complicado nesse caso como principal referencia pro senso comum de convivência. Considerando todos os fatos pessoais ocorridos e transparecidos nas aulas e ensaios realizados, toda a equipe reunida é o senão, mais resumido grupo dos grupos teatrais atuais formados. Vidas totalmente diferentes contribuíram para um grande elo de concentração e formação de energia e respeito dado até a estréia. A expectativa já era grande, o cansaço e o stress descarregado comprometiam a convivência da equipe.

Chegando em sua estréia, ‘MEDEIA PLURAL’ deu um ar selvagem, melancólico e perigoso para o Salão Nobre, local escolhido para se tratar do universo feminino para seus familiares e todo publico fisgado.

O clima de final de uma vida coletiva criada no Colégio, afetando aos profissionais envolvidos, finalizo apenas relembrando os respiros já vividos e passados na historia percorrida, e respiro visualizando o futuro, com possíveis montagens de uma inovadora pesquisa de espaços apropriados da cidade. Como respiro e visualizo, alguns atores, senão todos, que entrarão para historia do teatro paranaense e nacional.



LUAN MACHADO

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Versos Simples

Poema para todos. Para os simples, para os complicados.




Se escrevo é porque desejo
Se anseio é porque temo
Se te faço um poema
É porque quero que me veja

A métrica do nosso amor é A
Divindo versos e estrofes à la B
Não me canso de dizer e lembrar
Que meu eu lírico escreve pra você

Poema simples, Poema pobre
De um sentimento comum,
que carrego para um coração de uma nobre


LUAN MACHADO

TE Paro, Estátua!

Parei pra tirar a foto. Parei pra escrever esse poema.


Pare de Pensar
Mas só não pare de me beijar
Se paro para te olhar
Tudo pára, só não pára meu coração de pulsar

Parando e reparando
Preparando e Precisando
Me pare de parir
Essa parada que me faz sorrir

PARE!
PERA!
Parei o tempo para nós
Pra ficarmos finalmente á sós

Não consigo parar de escrever
Se um dia eu parar pra pensar
É sinal que parei de viver-


LUAN MACHADO

O Teu Som

Foto tirada na Igreja da Praça em Cornélio Procópio [PR]. Poema escrito na aula de música.



Que som é esse?
Que ouço pelo sutil timbre da sua voz
Que só pelo silencio seu, ja me basta

O quebrar de meus copos é viagem
Acordes, Tua Forma, Notas, me seduz pela nota
Aquele sopro em minha nuca
Te ouço, te vejo, te escuto, te desejo

Deus do Trovão já nao me intima mais
O barulho de seus seios me ensurdece
É tão intenso que me perco se gritasse

Tuas notas, teu timbre
Que assim seja,
A canção da Alma.


LUAN MACHADO

Cínica, Vilã, minha Nsa Senhora de Medéia

Foto do espetáculo Medéia. Poema criado como prece antes das apresentações.



Cadeiras de rodas me rodeando
A doença que se instala
Meu coração dispara
Palmas continuam me matando

Medéia, Medéia
Te fiz uma oração pra que não acabasse
Presta atenção: Jasão é mandão!
Não me venhas com sinal que acabaste

Paro por aqui
Sua ira nos consome
Mas lembre de uma coisa:
Pra sempre lembrarei seu nome



LUAN MACHADO

DIA DE DOMINGO

Foto tirada dos fundos do Paço da Liberdade em Curitiba. Poema escrito na frente do Paço.



É dia de pipocas para as pombas
De velhinhos olhando aquelas pompas
A correria do dia-dia, é outro dia..
Hoje é dia de Domingo

Dados que dizem: Domingo é pra se matar
Mas que maldade, um dia tão preguiçoso....
O tempo insiste em se esticar
Hoje ainda é Domingo

Domingo nos parques, Domingo na Vó
Um dia de respiro, por mérito, por dó
Ah, se o ritmo de Domingo pegasse..
O mundo conspiraria em uma nota só

Domingos, Domingos....



LUAN MACHADO

Homenagem a Baco, Deus do Teatro

Poema escrito no MON, num dia de domingo. A foto de uma aula de maquiagem um tanto interessante..


Baco, te bato, porque te amo
Que arte é essa tão gostosa?
De seu vinho roubo sua arte

Que alivio, meu Dionísio
Ouço os gritos da platéia te venerando
Das noites de estréia
É a energia canalizando

Dionísio do meu Baco, Deus do Teatro
Sem sua arte
O que seria de nós, slavianos desse ato?


LUAN MACHADO

Tempo, tempo..

Vai aí um poema que fiz ontem no MON. Essa foto tirei ao lado do Shooping Mueller, em um dia chuvoso indo pra aula. Típico poema e foto curitibana.


E esse tempo hein?
Esse tempo que já tá passando
O tempo que leva, me leva
Há quanto tempo saio sol?

Se meu tempo acabar, já digo
"Já foi-se os tempos de inimigo"
Quero o tempo como amigo
Você tem tempo pra um abrigo?

-O tempo lá fora está mudando
Mas que tempo é esse me amando?
Talvez meu tempo esteja acabando
Mas ainda tenho tempo de dizer:
"Morro te amando"



LUAN MACHADO

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