
A Balada da Criança Morta
Lua, Pulos na cama, língua pra fora e memórias precoces dentro da carne. Essa carne está mais rígida parece, como um boi rezando sua última prece no frigorífico.
Eu não sei se vejo mais cores agora ou aquele Agora que parecia que nunca ia passar. As insônias ao dever não cumprido, as anotações levadas pra casa para serem assinadas, o culto diário do programa do Castelo. Agora me recordo, agora eu sinto o que sentia lá, o que machuquei e coloquei um band-aid pra sarar, o que recordo, o que sinto morreu, morreu aqui dentro, e logo ao lado nasceu.
Entende essa coisa de morrer e logo nascer?
Abro os olhos e a programação do Castelo agora são corridas, mãos na testa, hiperatividade forçada.
Algumas coisas continuam iguais.
Algumas coisas vao sempre ficar assim:
o medo de falar o que não é bonito, apologias forcadas.
Na face, um sorriso juvenil, um sorriso presente na validade ainda, mas que pensa, e pensa como uma velha roda-viva.
E a roda, forçada: Programada.
Programada pra dar um curto, um surto no meio caminho, pra recorrer a mãe, as memórias que jamais morrerão quando eu em logo nascer, ou morrer.
LUAN MACHADO
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