A porta da geladeira já não fecha mais...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Terra do Nunca

Dia após dia numa fazenda de vacas gordas, numa fazenda de quadro.
Flores, grãos e silêncio.
Nela há campo, há campo pra mais de metro, há campo pra ser livre, há campo pra nós.
Desde que cheguei aqui eu nunca vi ninguém. Já vi vários animais nascerem pelo campo, tinha até umas espécies que pareciam gente, mas eles vivem numa paz que nenhum ser humano alcançaria.
Não sei por onde entra, não sei encontrar, corro pelo gramado. Está sol. Na verdade, nunca vi ele descansar como eu descanso.
Grito até rasgar meu peito pela grama aquecida, grito rolando, grito rindo, mas sozinho.
Já não sei há quantos dias estou aqui. Além!
As formigas em parceria com as abelhas administram o lugar.
A primeira convenção me lembrou um livro que minha mãe me deu pra ler na infância: A Revolução dos Bichos. E era uma revolução, da mais organizada, da mais pacífica.
Queria correr pra cá, correr e contar como é belo. E aí eu corro pelo campo, corro pra saída, mas ao redor tem mais e mais campo.
A fantasia de morar sozinho, no paraíso começa a me deixar preocupado.
Ao mesmo tempo que não tenho medo de que algo fantástico aconteça por ali, sinto medo de não acontecer nada.
É como Deus, como ser o primeiro a experimentar essa droga, esse paraíso.
Sinto a grama, sinto vivo os ventos por onde correm pelos campos.
Chego num pricipício. Passo dias por lá. Já não é mais campo, é árido, é quente.
O sol não me abandonara nunca, nenhum dia sequer. Na verdade, já não sei se foram vários dias ou se é o mesmo sempre.
A vista lá pra baixo é infinita, como o campo.
Se eu voltar, serei alguém só, alguém que conviverá com a própria companhia para sempre.
Aqui não há fome, não há comida, o que me afeta é apenas o Sol, meu companheiro desde que cheguei. Algumas horas irritado, ele paira sobre minha cabeça e queima, queima até ficar frente a frente comigo. Fica rosadinho, fica manso até voltar sobre minha sombra e tentar sair dess ciclo vicioso, desse lugar em que eu não consigo sair.
Me canso de tanto descansar. Ao mesmo tempo em que falei tudo o que pensava, canso de existir.
Olho pra baixo, fecho os olhos e espero os ventos lá do fundo.
O Sol se põe, até deixar um ultimo raio atrás da miragem.
Me despeço.
Volto a fechar os olhos e
pulo para o infinito.

Um comentário:

Quem sou eu

Minha foto
(um dedo verde no escuro)

Total de visualizações de página

Seguidores

Twitter