A porta da geladeira já não fecha mais...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Salada-Mista


De galho em galho,num pulo despreventivo
Mulheres nuas em chafarizes nas praças da cidades
Palhaços flutuando em seus balões nos terraços dos prédios
De galho em galho no ríspido soltar dos pés

Nas profundezas de um mar de bolhas
Sereias recebem seus anões, anfitriões, campeões
Piranhas gargalham entre as bolhas
Nas profundezas da solidão coletiva...

Vaga-lumes cegam meus papeis
Guarda-roupas me trancam no quarto

...e a festa rola solta no país dos Andrades!

domingo, 24 de outubro de 2010

Sinal da Cruz


Que cabeça a minha pensar isso. quem sabe um nome mais leve, um catálago mais variado.
Pense na possibilidade de poder estar flutuando.
Penso que flutuar é se libertar, é ser mais feliz mesmo. Como sempre leio em meu espelho todos os dias: QUERO A DELICIA DE PODER SENTIR AS COISAS MAIS SIMPLES.
Cada um com suas manias, suas perdas, suas liberdades.
Quando eu flutuo eu vejo tudo menor, num desmemoriado esforço eu me entrego.
Tem vezes que vejo pessoas andando na rua, e muitas delas flutuam. Flutuam dentro de suas mentes, com todos os seus sentidos desligados, as pernas em sincronia com os braços que carregam das mais variedades e das mais rotineiras bagagens urbanas. E flutuando, elas se interligam em um mesmo nível. É uma questão de 4 cm do chão, coisa pequena. Sempre que me distraio, me flutuo, uma respiração completa, repleta de serenidade.
Talvez minhas flutuações ultimamente tenham caído pro lado da loucura, da insanidade, ao contrário da serenidade que me dosava antigamente, eu ando flutuado por baixo.
Por de baixo dos tapetes dos museus da cidade, eu flutuo assim, na perigrinação.

Mas que cabeça a minha, essa que flutua nas duzentas dimensões que sinto num raio de uns...4cm...1 quarto de sintonia...100 sanidades e elogios...resultando numa distração.
Preciso voltar ao trabalho, essas distrações financeiras que nos alimentam de frustações, flutuações, inflações....

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Terra do Nunca

Dia após dia numa fazenda de vacas gordas, numa fazenda de quadro.
Flores, grãos e silêncio.
Nela há campo, há campo pra mais de metro, há campo pra ser livre, há campo pra nós.
Desde que cheguei aqui eu nunca vi ninguém. Já vi vários animais nascerem pelo campo, tinha até umas espécies que pareciam gente, mas eles vivem numa paz que nenhum ser humano alcançaria.
Não sei por onde entra, não sei encontrar, corro pelo gramado. Está sol. Na verdade, nunca vi ele descansar como eu descanso.
Grito até rasgar meu peito pela grama aquecida, grito rolando, grito rindo, mas sozinho.
Já não sei há quantos dias estou aqui. Além!
As formigas em parceria com as abelhas administram o lugar.
A primeira convenção me lembrou um livro que minha mãe me deu pra ler na infância: A Revolução dos Bichos. E era uma revolução, da mais organizada, da mais pacífica.
Queria correr pra cá, correr e contar como é belo. E aí eu corro pelo campo, corro pra saída, mas ao redor tem mais e mais campo.
A fantasia de morar sozinho, no paraíso começa a me deixar preocupado.
Ao mesmo tempo que não tenho medo de que algo fantástico aconteça por ali, sinto medo de não acontecer nada.
É como Deus, como ser o primeiro a experimentar essa droga, esse paraíso.
Sinto a grama, sinto vivo os ventos por onde correm pelos campos.
Chego num pricipício. Passo dias por lá. Já não é mais campo, é árido, é quente.
O sol não me abandonara nunca, nenhum dia sequer. Na verdade, já não sei se foram vários dias ou se é o mesmo sempre.
A vista lá pra baixo é infinita, como o campo.
Se eu voltar, serei alguém só, alguém que conviverá com a própria companhia para sempre.
Aqui não há fome, não há comida, o que me afeta é apenas o Sol, meu companheiro desde que cheguei. Algumas horas irritado, ele paira sobre minha cabeça e queima, queima até ficar frente a frente comigo. Fica rosadinho, fica manso até voltar sobre minha sombra e tentar sair dess ciclo vicioso, desse lugar em que eu não consigo sair.
Me canso de tanto descansar. Ao mesmo tempo em que falei tudo o que pensava, canso de existir.
Olho pra baixo, fecho os olhos e espero os ventos lá do fundo.
O Sol se põe, até deixar um ultimo raio atrás da miragem.
Me despeço.
Volto a fechar os olhos e
pulo para o infinito.


No fundo de uma mente encontro um ser. Ele vive dentro do útero, e vive muito bem.
Pergunto pra ele:
- nunca sairá daí?
O ser numa paz interior, inconsciente, complemente imparcial me responde:
- se o estado lá fora estiver como está aqui, estarei pronto. Logo minha vontade condiz a estar interligado ainda, e se depender de mim, esse laço entre nós não romperá.
..E no fundo de uma mente encontro uma ligação que esteve dentro sempre, sempre do ventre, dentro da mente, dentro do que chamo de: mim.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

INFANCIA (In)persistente


A Balada da Crian
ça Morta
Lua, Pulos na cama, língua pra fora e memórias precoces dentro da carne. Essa carne está mais rígida parece, como um boi rezando sua última prece no frigorífico.
Eu não sei se vejo mais cores agora ou aquele Agora que parecia que nunca ia passar. As insônias ao dever não cumprido, as anotações levadas pra casa para serem assinadas, o culto diário do programa do Castelo. Agora me recordo, agora eu sinto o que sentia lá, o que machuquei e coloquei um band-aid pra sarar, o que recordo, o que sinto morreu, morreu aqui dentro, e logo ao lado nasceu.
Entende essa coisa de morrer e logo nascer?
Abro os olhos e a programação do Castelo agora são corridas, mãos na testa, hiperatividade forçada.
Algumas coisas continuam iguais.
Algumas coisas vao sempre ficar assim:
o medo de falar o que não é bonito, apologias forcadas.
Na face, um sorriso juvenil, um sorriso presente na validade ainda, mas que pensa, e pensa como uma velha roda-viva.
E a roda, forçada: Programada.
Programada pra dar um curto, um surto no meio caminho, pra recorrer a mãe, as memórias que jamais morrerão quando eu em logo nascer, ou morrer.


LUAN MACHADO

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