CENA III
(todas as luminarias acendem, todos os personagens em cena em cada um em uma luminaria, blackout. acende luz na poltrona, p1 sentado.)
p1. EU mato TU matas ELE mata NOS matamos VOS matais ELES matam. Já falamos de matar hoje aqui? Mas esse matar foi diferente.. foi.... diferente. Sabe quando matar se torna apenas uma palavra poética? Será que eu deixei tão claro assim?
O MEU matar foi mais... ELE matar.. Porque acreditem em mim, suplico, sou inocente. Sou inocente por motivos completamente compreenssiveis.
Até porque matar é de....
Se matar, porque ELE mata.
Quando matar torna-se rotineiro, torna-se alimento para continuidade para viver. Matar contém no manual descomplicado do artigo vivencial humano. Porcaria... porcaria... porcaria...
Matei sonhos, matei todos seus sonhos.
Me matei em teus sonhos.
Me pergunto se podes me olhar..
(luz acende em uma das luminarias do palco, alguem com um livro aberto na frente do rosto)
p2EU mato TU matas ELE mata NOS matamos VOS matais ELES matam. Já falamos de matar hoje aqui? Mas esse matar foi diferente.. foi.... diferente. Sabe quando matar se torna apenas uma palavra poética? Será que eu deixei tão claro assim?
O MEU matar foi mais... SE matar.
Fraqueza e excesso de auto-confiança em si próprio. Moralismo torna-se parte da sua rotina, percebe? Percebe que SE matar é TE matar. TE matar, te mato pra ELE matar. Não foi o que você disse?
Já falamos em matar aqui?
Porque metematei. Porque desejo que o próximo que te mate seja ELE. ELE que tanto deseja, ele que tanto procura, que te metematicamente morra!
(blackout na luminaria. luz na poltrona)
p1Era noite quente de inverno. Um dia além da rotina. Um dia além de qualquer outro dia..
Me lembro dos abraços presentes naquela noite quente de inverno. O corpo dela sobre a sala de estar e o bilhete em seus dedos. o bilhete de amor meu que meu amor morreu.
EU mato, Tu matas, ELE morre, NÓS deixamos , VÓS matais, ELES morrem.
Morrem de amor, morrem do mau primeiro: o nosso falso amor que ali morreu.
(blackout na poltrona e luz na luminaria com um papel amassado ao lado)
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